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Hulk leva brasileiros ao Oscar dos quadrinhos

Hulk leva brasileiros ao Oscar dos quadrinhos

Joe Bennet e Ruy José Santos estão integrando uma indicação ao Prêmio
Will Eisner Comic Industry Awards , um dos mais importantes da indústria dos quadrinhos, considerado o Oscar das HQs.

Joe Bennet (ilustrador) e Ruy José (arte finalista) e outros artistas estão concorrendo na categoria Melhor Série Contínua com a HQ da Marvel Comics “The Imortal Hulk” .

Joe Bennet (esquerda) e Ruy José (direita)

Aproveitamos a oportunidade para conversar com o simpático ilustrador da equipe, Joe Bennet a respeito da HQ e da indicação ao prêmio. Leia a seguir:


1- A primeira edição da série foi lançada em novembro de 2018, mas logicamente um projeto desses não nasce em uma semana. Quanto tempo de planejamento a equipe levou para chegar no produto final?

O projeto começou em setembro de 2017. O editor chefe Tom Brefoort perguntou se eu estava interessado em fazer a nova série do Hulk. Eu disse que sim, muito interessado e ele começou a explicar o que ele queria, qual seria o tom da história. Cemecei a fazer uns designs de personagens, do Hulk, do Banner, dos personagens coadjuvantes, de algumas criaturas que iriam aparecer. Em novembro eu fiz 10 páginas do Immortal Hulk para figurar dentro de uma revista dos Avengers e aí começou.


2- Existe alguma abordagem diferente nessa série do Hulk em relação as demais?

A abordagem diferente do personagem se dá pelo seguinte: ser o Hulk não é legal, não é bacana. Se transformar no Hulk é algo monstruoso. O roteiro do Al Ewing já sugeria isso e eu através do meu desenho eu resolvi definir isso visualmete. As transformações são bem grtestas, bem bizarras e as situações que cercam o personagem são bem aterrorizantes e eu uso ângulos de câmeras, efeitos de luz e sombra inusitados para enfatizar isso.


3- Quais foram suas inspirações/referências para criar o conceito do personagem e atmosfera para esta série?

As minhas inspirações foram as histórias de terror da Warren Comics dos anos 60 e 70. Aqui no Brasil essas históras foram publicadas numa revista chamada Cripta, da Editora Rio Gráfica, isso em 1976, eu era criança e eu comprava aquilo ali e adorava aquelas históras de terror e os artistas que trabalhavam ali, fui muito influenciado por eles. Quando eu comecei a minha carreira, aos 17 anos, o que eu tentava fazer era reproduzir aquilo que eu via nas histórias da Warren e quando o Hulk chegou na minha mão eu falei pra mim mesmo: eu vou fazer aquilo que eu gostava, vou fazer histórias da Warren e deu certo, a galera gostou.



4- A série já está na 16ª edição, segundo o site da Marvel. Existe um planejamento para o encerramento da série que você possa nos dizer?

Atualmente eu estou desenhando a edição 19. O primeiro grande arco fecha-se na edição 25 e a série continua, enquanto houver ideias por parte do Al Ewing, disposição de desenhar de minha parte e o interesse da Marvel, que no final das contas é o que pesa mesmo em continuar, a gente continua, gás pra isso a gente tem.


5- Como foi para você receber essa indicação, mesmo que não diretamente, para o prêmio Will Eisner? Eu estaria tremendo até agora.

Olha eu fiquei muito feliz, eu não esperava, não imaginava. embora seja uma indicação do título e não uma indicação para mim, nem para o escritor Al, nem para o arte finalista Ruy ou para o colorista Paul Mounts. Não é uma indicação específica para o artista e sim para a equipe que está fazendo o título. Eu fiquei muito surpreso e fico muito feliz e orgulhoso, muito mesmo.


Como somos um site mais focado em produtos brasileiros, não posso deixar de fazer essa pergunta: Estamos presenciando um ápice do que os quadrinhos podem oferecer à indústria do entretenimento com o filme Avengers Endgame. Você consegue ver isso acontecendo em algum momento na indústria brasileira de quadrinhos e porque?

Infelizmente eu não vejo isso acontecer dentro da indústria brasileira. Primeiro porque não existe indústria brasileira de quadrinhos, você não vê grandes editoras investindo em quadrinho nacional. E mesmo assim, o que é o quadrinho nacional? Quadrinho americano nós podemos dizer que é super herói. É aquilo que vende muito, é o que vai pro cinema, é o que gera lucro, público e interesse. Quadrinho alternativo por lá existe com certeza, mas nem se compara ao de super herói. E o quadrinho nacional o que é? Não existe, não tem. Nos anos 70, 80 e início dos anos 90 havia uma efeverscência de quadrinhos de terror aqui no Brasil, mas que parou por N razões.



Joe Bennet tem projetos pessoais que pretende retomar em breve, como o Esquadrão Amazônia, que você pode comprar clicando aqui, e outro projeto intitulado Norato dos Reis, que é uma espécie de Conan e se passa na Amazônia dos anos 20.

“Todo mundo que trabalha com entretenimento, no caso quadrinho, tem um projeto pessoal. Quer fazer com um escritor famoso ou quer fazer sozinho, enfim, uma hora acaba acontecendo”, conta Joe Bennet.Dicas a quadrinistas que pretendem um dia trabalhar na Marvel ou DC também são bem vindas.

Terminei a entrevista pedindo dicas para os desenhistas que pretendem se aventurar no mercado americano.

“Se você quer trabalhar pra Marvel, pra DC ou para qualquer editora americana tenha em mente as seguintes preocupações:

  • Domine perfeitamente a sua arte. Domine perspectiva, anatomia, narrativa, isso aí é um ponto pacífico, seja um grande artista.
  • Não adianta você ser um grande artista se você não cumpre prazos. Cumpra prazos, ou as editoras não vão te querer.
  • Você tem que olhar a seu redor, veja o que o mercado está querendo, veja qual é o caminho que o mercado está tomando e o que o público está gostando.”

Acompanhe os artistas nas redes sociais:
Joe Bennet: www.instagram.com/joe_bennet_comics
Ruy José: www.facebook.com/ruyjose.santos

Os brasileiros estão arrasando nos quadrinhos lá fora. A premiação acontecerá entre os dias 18 e 21 de julho na San Diego Comic Con. Bora torcer!!