O PRIMEIRO BANHO DO CASCÃO

Cascão desde 1961, quando foi criado, odeia a ideia de ter contato com água. Porém em 1983 quandro ocorreu uma enchente que deixou mais de 200 mil pessoas desabrigadas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, ele entrou na água para salvar vitimas do alagamento.

Primeiro banho do Cascão, em "Folhinha" de 1983

Isso não aconteceu no Gibi, na verdade foi uma coluna que Maurício de Souza em um jornal popularmente chamada Folhinha na época.

O PRIMEIRO BANHO DO CASCÃO

Tudo tem uma primeira vez.

E o Cascão sentiu que era chegado o momento.

Ele havia escapado de banhos, chuvas e respingos por toda a vida.

Mas hoje, por sua própria vontade, enfrentaria o sacrifício. Venceria o medo e entraria na água.

Engoliu seco (é lógico) enquanto se preparava psicologicamente. Lembrou-se das inúmeras vezes em que escapou das armadilhas preparadas pela Mônica, Cebolinha, até por sua mãe, que tentava pegá-lo para o primeiro banho.

Jamais conseguiram.

Foi preciso que acontecesse algo mais forte do que uma coelhada da Mônica para ele se decidir.

E hoje ele já está pronto para o primeiro banho e para uma ação mais nobre.

Devagarinho, tateando com o dedão. Depois sentindo a água, sensação desconhecida, até os tornozelos. E, em seguida, com a água até a cintura, lá vai o Cascão, com uma trouxinha de roupas e biscoitos, em direção às crianças assustadas, ilhadas pela enchente de Santa Catarina.”